Direito em pauta

A gestão pautada em dados é, de fato, um fator determinante de sucesso: seja na administração de uma pandemia, seja na administração de um negócio

Recentemente ouvi um programa de rádio que entrevistava o Governador do estado do Paraná e este falava sobre como o seu governo tem conseguido manter a curva do coronavírus achatada e, ao mesmo tempo, retomar a atividade econômica.

Olhei para o lado estratégico – e não político – das ações que vem sendo tomadas e tem levado esse Estado à vencer a batalha contra o vírus, sem comprometer tanto sua economia. Ao fazer esta análise, tracei um paralelo entre as ações deste governo e a construção de um processo de tomada de decisão inteligente.

Feito este exercício, listo abaixo os três principais insights e conclusões que obtive.

1) Sem um banco de dados com informações confiáveis, corporações ou governos tem grandes chances de errar nas tomadas de decisões.

  • Como decidir se é hora de encerrar ou prorrogar a quarentena, se não há informação concreta sobre os números da saúde e da economia?
  • Como decidir se deve ser construído um hospital de campanha ou investir em aumentos de leitos de UTI, se não existe qualquer tipo de informação sobre o assunto?

Trazendo estas questões para o ambiente jurídico…

  • Como tomar uma decisão de aumentar ou reduzir uma equipe, se não existem dados sobre volume, produtividade e absenteísmo?
  • Como decidir se é hora de separar as rotinas contenciosas e consultivas de um determinado departamento, se não existem informações sobre o volume de demandas consultivas e contenciosas?

Primeira conclusão: Sem dados confiáveis, as chances de erro são maiores que as chances de acerto!

2) Dados não padronizados ou não estruturados são quase tão prejudiciais quanto não ter dado algum.

Como medir se a curva do vírus está achatando, se cada órgão do governo usa um critério de medição diferente?
Ou, como medir o impacto financeiro econômico da crise da saúde para decidir se é momento ou não de alguma isenção ou ação do governo pró empresas, se os parâmetros entre as secretarias de governo são distintos ou divergentes?

Trazendo estas questões para o ambiente jurídico…

Na esfera contenciosa judicial por exemplo, como orientar um cliente a recorrer ou fazer acordo em um determinado processo ou lote de processos, se os campos para colher tais dados não existem ou não estão parametrizados e customizados para trazer informações como:

  • Entendimento do juiz em determinada matéria;
  • Qual a política de acordo da parte contrária;
  • Custo dos processos;
  • Tempo médio dos processos;
  • Atualização correta do débito/processos de forma automatizada e em real time.

Avançando, mesmo que os campos existam em sistema, de que adiantam se o preenchimento deles não estiver padronizado?

Segunda conclusão: Sem padronização e estruturação dos dados, eles se tornam inconclusivos e tornam o tempo de análise muito longo em decorrência da necessidade constante de saneamento da base.

3) Os dados por si só não resolvem o problema, a inteligência está nos indicadores!

As corporações líderes são aquelas que tem em seu time, pessoas (sim pessoas, ainda somos melhores que máquinas) que conseguem entender exatamente o que precisa ser resolvido, o que está por trás do problema pontual e estruturam os indicadores corretos para medir os resultados esperados.

Do que adianta um indicador de desempenho que não esteja alinhado com a problemática real, ou ainda, que parta da premissa equivocada?

Terceira conclusão: Entender o real problema a ser resolvido é essencial para transformar o banco de dados correto, padronizado e estruturado, em indicadores estratégicos.

Muito tem se falado dos legados que a atual crise irá deixar para a sociedade e para o mundo dos negócios: trabalho em home office, distanciamento social, novas formas de interação e consumo, entre outros. Eu acredito que uma das lições mais importantes que esta crise deixará para gestores, companhias, entidades públicas e governo é que decisões devem ser sempre pautadas em dados concretos e jamais em achismos.

Compartilhar